UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO - FACED
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA A DISTÂNCIA - PEAD
NOME DA ALUNA: FÁTIMA SILVANE SAMPAIO.
DATA DA POSTAGEM. 24/08/2008
PÓLO SAPIRANGA
Escola, Cultura e Sociedade: uma abordagem sociocultural e antropológica.
Enfoque temático: Ser professora e suas implicações históricas.
Atividades:
1) Leia os textos propostos para esta semana, relembre as suas aproximações com o pensamento de Paulo Freire, retorne aos textos sempre que for necessário para construir a atividade.
2) A partir das idéias de Paulo Freire, procure pensar a sua própria formação, dialogando com os colegas (de trabalho, do curso). Pergunte, discute, responde, traga exemplos da experiência como professor(a), reflete sobre o que é ser professor(a). Como se forma (ou se formou) este professor(a)? Quais as coisas marcantes na formação do professor(a)? Que implicações têm esta formação no trabalho que hoje desenvolve com seus alunos e alunas?
3) Construa um relato de sua reflexão e poste no seu webfolio da disciplina, no rooda.
O professor bem sucedido é sempre um aluno em pesquisa.
Palavras chaves
Diálogo – ser professor – simetria invertida - formação contínua
Resumo:
O presente trabalho abordará questões referentes aos “Saberes Necessários à Prática Educativa” segundo a obra de Paulo Freire “Pedagogia da autonomia”, esta que instiga o conflito e o debate entre os educadores no que diz respeito a sua formação desde o ensino fundamental até a graduação. Nesse sentido, a formação de um professor deverá ser coerente no relacionamento entre os aspectos teóricos estudados e a prática por ele vivenciada enquanto realiza o curso. As ações efetivadas durante a sua formação devem servir de exemplos e de práticas compatíveis com os anseios profissionais desejados, idéia esta denominada simetria invertida, por BRASIL (2001). A simetria invertida é entendida como a coerência que deve haver entre as ações desenvolvidas durante a formação de um professor e o que dele se espera como profissional. As expectativas atribuídas a um professor aluno são semelhantes às de quem não é aluno convencional, mas que pela bagagem profissional possui um saber-fazer provido de sua prática diária e por ter na profissão uma característica que jamais deixa de ser aluno em pesquisa, professores bem sucedidos que buscam saber mais. É importante refletir sobre nossas ações pessoais e profissionais enquanto professores, realizando mudanças práticas pedagógicas. Como experiência própria destaco o pead como um espaço de intenção de aprendizagens onde somos provocados a refletir sobre tendências e necessidades da educação, dessa forma buscando uma prática mais eficaz em sala de aula.
Reflexão sobre as idéias do autor a partir de minhas experiências.
A pedagogia da autonomia é fundamentada na ética, no respeito à dignidade e a própria autonomia do educando. A ética trazida por Freire não é aquela vinda do mercado que tem a intenção de transformar a educação em um produto que gera lucro sem importar-se com a qualidade. Esta que advém do sistema neoliberal onde o mercado torna-se parâmetro de qualidade isto é, em vez de criarem políticas para melhoria da qualidade da educação compra-se um programa pronto que promete bons resultados avaliativos. Esses resultados são avaliados por uma instituição que não tem uma visão qualitativa democrática, não deixa os envolvidos participarem, dessa forma excluindo o diálogo pregado por Paulo freire.
Isso aconteceu na cidade em que trabalho, compravam o pacote de alfabetização já com as aulas prontinhas sem levarem em consideração os interesses e conhecimentos prévios desses educandos. “Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos” ( Paulo Freire cap.1.3 - pedagogia da autonomia). Pensando no que ele diz, me pergunto, onde está o respeito a estes educandos e também a estes professores que sem escolha devem entrar no ritmo ditado pela opção neoliberal de seus governantes. Para Hermández “o diálogo implica a honestidade e a possibilidade de intervir em um clima de confiança”, ou seja, ele é entendido como intercâmbio e reflexão entre os sujeitos. Entretanto, favorecer a aprendizagem a partir do diálogo é algo que não ocorre de maneira espontânea, pois requer por parte do professor, ter um conhecimento atento da turma, uma vez que o diálogo implica que as pessoas estejam abertas a idéias e pensamentos do outro. Aí entra as questões de ética defendidas por Freire, dialogar com esta turma buscando soluções em conjunto para conflitos que ocorrerão durante o processo de ensino aprendizagem. Entretanto acredito que este processo é lento, porém todos da escola deveriam preparar-se e tornarem-se adeptos. Pensando no que realmente quer dizer dialogar para uma aprendizagem efetiva me pergunto: que tipo de aprendizagem se constrói quando a participação do aluno é simplificada a fazer o que está na apostila? Sou professora de pré-escola e sinto muito por estas crianças que comigo são acostumadas a trabalharem com projetos de aprendizagem onde diálogo e participação caminham lado a lado, pois aprendem de acordo com seus interesses e quando vão para o fundamental são obrigadas a entrarem na ética do mercado. Formar um educando é muito mais que levar a ele exercícios condicionados treinando-o a desempenhar tarefas, a formação está bastante ligada questões de humanização segundo Freire.
Pensando um pouco no que seria formar um aluno professor, acredito que não fuja muito do que já foi dito. Hoje em dia as faculdades à distância estão cada vez mais formando professores. Como será que está sendo esta formação? Será que estudar por vídeo-aula e apostila se consolidará uma verdadeira aprendizagem capaz de transformar estes educadores em pessoas competentes em seu fazer diário? Estas serão sempre minhas indagações, pois em minha escola tem 4 colegas de faculdade a distância e o que as obrigou a fazê-la foi segundo elas a facilidade de pagamento e o tempo rápido que pegam o diploma. Este não é o meu caso, pois o pead busca pela interação constante, um curso diferenciado, excelência em educação a distância que particularmente sinto orgulho em ser aluna. Durante as conversas com minhas colegas percebemos claramente esta diferença.
Freire fala de uma solidariedade que promete instaurar a ética, o que seria isso? É o professor assumindo uma responsabilidade ética em defesa de sua profissão e em exercício de sua prática. Ou seja, o professor deve ter um posicionamento crítico referente ao que acontece no mundo de forma verdadeira e coerente, pode manifestar este posicionamento demonstrando aos alunos que eles também devem se posicionar. Claro que ao nos posicionar devemos antes analisar e fazer esta critica com o máximo de respeito. Como alunas do pead somos provocadas a reflexão constante sobre nossa prática e se busca com determinação a simetria invertida que acima de tudo quer refletir sobre se há coerência no que se aprende na teoria e o que se aplica em sala de aula. “... quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado”(Paulo Freire, cap.1-pedagogia da autonomia). Neste sentido o professor precisa do aluno assim como o aluno do professor e a aprendizagem acontece na medida em que ambos interagem sendo o diálogo o principal instrumento que norteará esta aprendizagem interativa. O diálogo a distância torna-se um pouco mais complicado até que nos apropriemos da infinidade de recursos trazidos pela tecnologia. A partir do momento que se supera esta fase consegue-se uma interação com colegas e professores da universidade e ao longo de nosso curso estamos cada vez mais nos aproximando de uma maior interação on-line.
O professor enquanto ator assume sua prática a partir do significado que ele mesmo lhe dá ao mesmo tempo em que possui conhecimento, possui um saber-fazer que provém de sua própria atividade diária. A relação entre a pesquisa universitária e o trabalho docente nunca é uma relação entre uma teoria e uma prática, mas uma relação entre atores, entre sujeitos cujas práticas são portadoras de saberes. Acredito que seja por isso que universidade pensou este curso para professores que já estão atuando em sala de aula, somos estes sujeitos também portadores de saberes.
Paulo freire nos trás a questão de ensinar certo e pensar certo, a condição de pensar certo se dá a partir do momento que nos desmistificamos de nossas certezas e por isso da necessidade de estar sempre em estudo permanente, e não somente em estudo, mas humildemente preparados a aceitar o novo e disposto a construir aprendizagem junto com os pares. Neste semestre iremos estudar sobre projetos de aprendizagem, qual a melhor maneira de fazer com que os alunos aprendam? Acredito que seja partindo de seus interesses e com propostas desafiadoras e inovadoras. É saindo da rotina maçante e condicionada que o professor conseguirá bons frutos com seus alunos. O estudo com projetos instiga a pesquisa e alguns professores não trabalham com esta proposta por acomodação. Creio que é preciso se mexer e buscar através da pesquisa novas maneiras de transformar nossas aulas mais significativas e atrativas aos nossos alunos. O professor que não se atualiza, não pesquisa, não inova, acaba caindo em esquecimento por seus alunos, já o que está sempre a frente é reconhecido e seu trabalho certamente fará diferença na vida dos educandos.
Considerações finais
Segundo Freire em relação à formação de professores “... devia insistir na constituição deste saber necessário e que me faz certo desta coisa óbvia, que é a importância inegável que tem sobre nós o contorno ecológico, social e econômico em que vivemos. E ao saber teórico desta influência teríamos que juntar o saber teórico-prático da realidade concreta em que os professores trabalham...”. (Paulo Freire cap.3.8 Pedagogia da autonomia). Acredito que conseguiremos fazer isso à medida que nos aproximar-mos mais de nossos alunos e sairmos do livro didático para aos arredores da escola buscando entender mais como ensinar e o que esses alunos precisam aprender. Aproveitar a realidade muitas vezes dolorosas de nossos educandos para instigar o debate, a criticidade dos fatos, a busca por talvez utópicas soluções, mas certamente necessárias a uma qualidade de vida melhor a estes alunos e comunidade onde estão inseridos.
“Seremos reconhecidos socialmente como sujeitos do conhecimento e verdadeiros atores sociais quando começarmos a reconhecer-nos uns aos outros, como pessoas competentes, pares iguais que podem aprender uns com os outros. Diante de outro professor, seja ele do pré-escolar ou da universidade, nada tenho a mostrar ou a provar, mas posso aprender com ele como realizar melhor nosso ofício comum”. (TARDIFF, Maurice.) A intenção do pead é formar uma comunidade de aprendizagem que atravez da interação professor-aluno busca refletir se há coerência entre o que aprendemos no curso com o que estamos fazendo em sala de aula e em nenhum momento somos desmerecidos sobre nossos conhecimentos, sempre nosso fazer diário é levado em consideração.
Referencias bibliográficas
HENÁNDEZ, Fernando. O diálogo como mediador da aprendizagem e da construção do sujeito na sala de aula, Revista Pátio, Ano VI n. 22 jul/ago, 2002.
TARDIFF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 3. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2003, Cap. 6, p.227-244.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia (Saberes Necessários à Prática Educativa).
ESCOLA CULTURA E SOCIEDADE
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